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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Maternidade e Preservação de Fertilidade...





            Eu planejava a primeira gestação para 2012, quando eu completava 2 anos de casada, e então um ano antes fiz todos os exames, fiz o planejamento financeiro, listas de enxoval, tomei vitaminas, enfim, e ao parar o anticoncepcional, engravidei um mês e meio depois. Ao fazer o pré-natal, foi detectado um nódulo mamário, e meu médico, então pediu um US da mama , e me encaminhou para uma mastologista.              
           Nesse meio tempo estava completando 10 semanas de gestação, e ao fazer um US de acompanhamento da gestação , foi detectado que  o embrião não tinha mais vida. Fiz a curetagem dia 25 de outubro de 2012. :-(   O resultado da biópsia  do nódulo foi fibroadenoma ( benigno) e foi realizada uma cirurgia para retirada dele, dia 13 de novembro de 2012.
           Em seguida fui liberada para uma nova gravidez pelo ginecologista. O histopatológico foi inconclusivo e foi pedido uma imunohistoquímica que concluiu: Carcinoma ductal invasor, era câncer! Dai começou aquele turbilhão ... exames, médicos, e foi marcada uma segunda cirurgia. Eu fiquei mais triste por não poder engravidar naquele momento do que pela notícia.... era um sonho adiado, talvez cancelado! Minha médica falou sobre a preservação de fertilidade... deveria ser um direito instituído, mas não é!
           O tratamento para congelamento de óvulos, tem custo de 12 a 15 mil reais, e para mim, foi mais um momento extremamente delicado, coração apertado, até que um anjo me deu uma luz, e falou do Hospital Pérola Byington em SP, e entrei em contato lá... comprei passagem de avião em 10 vezes na semana do Natal e estava pós operada, fui para a consulta com os especialistas em reprodução, e aceitaram meu caso. Foi meu milagre de Natal!                 
            Em Janeiro, passei 20 dias lá fazendo o congelamento de óvulos. Dai quando levei meu exames no oncologista, pedi para incluir uma medicação (Zoladex) que faz a proteção ovariana, Essa medicação não é coberta pelos planos de saúde, eles alegam ser de uso experimental e chega a custar até R$1.500,00 a aplicação ( que é a cada 28 dias) . Como meu plano negou todo meu tratamento, entrei com uma liminar na justiça que cobria tudo que o médico prescrevia como necessário, e só por isso , consegui fazer o tratamento.
             A maternidade é um sonho para o futuro. Tenho certeza que um dia irá acontecer, minha experiência, apesar de breve, foi muito intensa... Entendi que sua missão era me levar ao médico para detectar no início, que algo errado acontecia, e as coisas foram se encaminhando. Eu demoraria muito mais para perceber sozinha, pois sou jovem, sem qualquer histórico familiar, e as chances estatísticas de um câncer na gestação, são em torno de 10 casos a cada 100 mil gestações, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia. Enfim, a gente nunca imagina que vai ser a "premiada", mas o diagnóstico precoce foi primordial.
             Mesmo com todas as dificuldades que passei, não mudaria em nada minha experiência... Agora comemoro cada pequena vitória do dia a dia... estou recomeçando a viver, com outros olhos... reavaliei meus valores e prioridades, reafirmei as verdadeiras amizades,  conheci histórias incríveis e pessoas fantásticas durante minha jornada, e  sou muito grata pelas oportunidades que tive durante esse processo , pelos verdadeiros "anjos" que encontrei no caminho, e pelas pessoas que tenho na minha vida. Minha fé me sustentou em cada momento, por isso tudo,  só tenho a agradecer....


          

Obs: Ainda  vou fazer um post específico sobre Maternidade e adoção- Os filhos do coração....<3  em breve...


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Perdi um bebê e agora ??






                                ( Monumento à criança não-nascida-  Eslováquia)


         Resolvi abordar um  assunto que é um tabu, quase ninguém fala sobre isso, a maioria  das pessoas ignora completamente até passar por uma experiência semelhante, e quando acontece, quase nunca encontra  o suporte necessário.
         A perda de um filho na gestação é um assunto muito delicado, pois  para a sociedade  parece  algo comum que logo se resolve com uma nova gestação...
          Para o casal, são muitos sonhos expectativas e planos que se desmoronam de repente.
          E  para mãe,  é um filho, a dor emocional é dilacerante, e é necessário todo um processo de  luto para conseguir digerir a informação, e superar as lamentações e a revolta para  conseguir retomar a vida novamente.
          Não foi fácil ,  mas hoje consigo encarar com serenidade essa experiência, e  participo de um grupo que faz a acolhida de pessoas que estão passando por perdas recentes, para ajudá-las a transcender a dor , acalmar o coração e viver um dia de cada vez...
          
-Para as pessoas que estiverem passando por isso:

-Primeiro: chore o quanto for necessário. Dói, dói muito...  E vc tem o direito de chorar para lavar a alma de todos esses sentimentos...Tire uns dias de folga do trabalho, cancele os compromissos sociais de imediato.

-Em seguida, respire... desculpe mas não vou mentir dizendo que essa dor vai desaparecer, não irá... mas com o tempo  ela se acalma, e  com o tempo você irá aprender a conviver com ela... é preciso devagar abrir um espaço em seu coração para que a alegria novamente venha fazer parte da sua vida.

-Tente acolher a dor sem revolta . Por mais difícil que seja, tente não direcionar suas energias para a raiva e questionamentos  que não trarão seu bebê de volta. Não se culpe... Essas coisas simplesmente acontecem... e vc não está sendo punida... Se tiver uma religião, recorra a ela nesse momento para um suporte espiritual que acalme e renove as esperanças.

- Converse com seu médico, siga as orientações, e antes de engravidar imediatamente, saiba que além da recuperação física, é necessária a recuperação emocional do casal. Não tenha vergonha de reconhecer que precisa de ajuda, procure um profissional como terapeuta ou psicólogo se não conseguir lidar com seus sentimentos ao longo dos dias.

- Retome devagar sua rotina, as pequenas coisas que te fazem feliz, cuide de você, priorize a sua felicidade e bem estar, tire o foco da sua vida da gravidez.  Essa atitude diminuirá o stress e a angústia, e consequentemente, mesmo que seu objetivo seja uma gravidez imediata, ela acontecerá de forma serena e  tranquila. 

- Converse com seu companheiro: Homens tem forma diferente de lidar com os problemas, enquanto nós mulheres temos necessidade de conversar, eles preferem se calar e tem mais dificuldade para falar sobre sentimentos.  Lembre-se que não foi só você que perdeu um filho, ele também sofreu  com a perda.

- Existem grupos de ajuda, em que pode falar sobre seus sentimentos e encontrar o acolhimento por pessoas que passaram pelo mesmo processo.  Esse aqui é uma comunidade aberta , e esse outro é um grupo  fechado no facebook de mulheres que perderam seus bebês.

Se alguém que você conhece estiver passando por isso:

- Se possível, já converse com a família, pessoas do trabalho e de maior contato, para contar o que aconteceu e evitar mal entendidos e saias justas.

- Não a convide para chás de bebês, para ver coisas de bebês e conhecer um bebê que nasceu... se a perda foi recente ela ainda vai estar fragilizada, compreenda e respeite sua dor.

- Guarde as coisas do bebê... leve para outra casa, dê para alguém, enfim, tire da vista da mãe.

- Fique do lado dela e diga somente que sente muito pela sua perda, que está alí para o que precisar, não tente justificar o que aconteceu, nem dizer que foi melhor assim... ( até pode ser, mas para ela , naquele momento não é...)

-Não fale jamais  nada do gênero: 

- Ah isso é normal....
- O que vc fez para perder o bebê?
- Era um bebê com defeito...
- Nem era um bebê ainda, vc nem sentiu mexer, nem pegou no colo...
- Logo vc engravida de novo  e nem vai lembrar desse que perdeu....
- Foi  Deus que quis assim...

- E principalmente,  tenha paciência, é um período difícil para qualquer mulher e ela precisa de todo apoio possível.